sábado, 11 de julho de 2015

Uns lutam contra o deserto
Outros na multidão
Todo poema é um fôlego
De um rio interrompido
Pela desilusão
Um encontro
Da palavra que não quer engessar estantes
Que derrama explosiva
A vida antes obstruída
Pelos poros do mundo
- e o agora se realiza

A densidade do tempo se dilui
Alguma verdade se abre
Quem quiser ver
Verá
O desencanto se imortaliza
Reencantado
E quem sabe ecoa como melodia
Além-mar

Mas que tarefa ingrata
Dar forma de palavra
Ao que nem mesmo tem razão
Dar volume, cor e cheiro
Ao que nos toma por inteiro
E não finda

Uma parte de tudo é escolha
A outra é condição
Não são os discursos
que prometem paraísos
 que nos salvam
E sim aqueles breves momentos
em que somos verdadeiros
Despidos das engenharias do mundo
No abandono absoluto
No vazio
No fundo do fundo

Na superfície é fácil legitimar a beleza
Difícil é enxergá-la
Não se sabe como dançam as veias da vida
Não se sabe que ritmo trazem
Para percorrer os dias
As mãos e os pés tateiam
As linguagens ocultas da terra
E pelo andar do desencontro
Ainda somos iniciantes


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