terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O mar nasceu
Mas não morre
Em suas correntes
Infinitas
Imanentes
A essência
Da morte
Entrevida
Daquele que veio renascer
Quiçá

pra ir mais fundo



terça-feira, 13 de outubro de 2015

Aos céticos


Foi somente um sonho
Apenas
um sonho
mas floresce
tudo vivo
dentro do peito
[não se esquece]
tudo sinto
causa e efeito
freio e impulso
morte e vazão
de vida
nada direito
tudo estreito
ou indefinido
sem substantivo
mas quase
que nada
nos tira a paixão
na guerra e na paz:
 justa direção
acordo a existência
me banho em utopia
 caminho na certeza
abraço a consciência
estendo as mãos com gozo
áquele que me integra
se somos vãos
imaginem o mundo
sem essas mãos


quarta-feira, 2 de setembro de 2015



Praqueles que no fundo tremem
diante das utopias
Revestidos de suas boas teorias

Hei de me dizer sim
Aos modelos
Não
E aos anti-modelos

Talvez



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

De fevereiro


Foi-se
                Mas ficou

Riu-se
                Mas chorou

De fora pra dentro

Meu deserto é fundo
Desentendo-me

Ah se aqui tivesse
A tua amizade dourada
Ou qualquer outra que me soubesse ler
Que me soubesse ser
                    
 sem segredo


São milhares de pessoas


Levanta!
É dia de ter euforia
É hora de perder o tempo
Deixar-se no limiar

Hoje é tudo experimento,  momento
De não ter sentido
De ser o que não se é
Ou o que sempre foi
Enfim

Está reservado o presente
Finalmente
Tenho até o aval dos meus inimigos
Para ser feliz

[se eu soubesse sê-lo
 Se alguém soubesse...]

Está permitido
É necessário

Mas minha briga 
é nos outros 360 dias 
Em que sou
O contrário

As senhas
Filas
Rótulos
Roteiros

E nenhuma multidão me segue
À alma não se define
O dia de ser alegre


Só morrendo dia a dia
Pra sobreviver

Só engolindo agonia
Pra desencantar

          Apodrecer

Toda a trouxa do passado
Fede no meu armário

Posso não viver em mim
         Por hoje?
Nem amanhã talvez

Que cálculo errado do destino
Acontece

Que vale sonhar com o além-mundo
Que nunca existirá
Besta sou eu
E não tu


Por que ouro não me reluz?



Dá pra não estar                       

sempre


                Em profundidade?

Esquecer a mentira e a verdade

Se fosse eu me pedia

                Pra fechar pra balanço

Por mais um dia

Mas tormento vira beleza
... Alquimia da arte

Do lado de cá é sobrevivência
Do outro
Sabe-se lá

Pode ser tendência,
Pode ser passatempo
Pode ser estar vivo

Pode ser sonhar


domingo, 1 de fevereiro de 2015


Era noite ensolarada
   
                densa de gente em qualquer lugar

e eu me cercava no sossego
daquele vasto corpo negro
azul perdido
maltratado

nossos pés ainda nágua
daquela vasta madrugada
daquele oculto verdemar
e eu queria pra sempre 
me adentrar naquele dia

Me perder de vez naquela maré
macia
de paz,
onde toda agonia se dissipa
num instante

mas não fui

Fiquei neste corpo
 é tudo o que eu tenho




sábado, 3 de janeiro de 2015

Dos males o maior


É meu banquete de covardia
Fraturando sonhos
Na verdade é vergonha
De desobscurecer
O dia

É sempre esperar o pontapé
De um
        de outro
Do destino
É medo de ficar como já está
E mais sozinha

Catando nos lixos da alma
Meus significados
Há de se deixar
        o que deve ser
E quem quiser ficar...

Já me conformei
Sempre serão poucos

E eu me alugo
(nunca vendo)
A esses mundos maciços que nem são meus
São cheios do que é ou que não é
No fim querem só se divertir a qualquer custo
E não querem nada
Porque estão sempre prestando atenção no que menos importa?
E fazendo aqueles planos absolutamente chatos
Ou qualquer coisa que nunca
É coisa alguma

Qualquer coisa que nunca é inquietação
Sonho ou utopia!

Mas sempre intermediados por algum tipo de consumo compulsivo
De drogas lícitas
que antes de entorpecerem a razão
já são excelentes pra deixar qualquer um mais chato

E eu andando no meio desses co(r)pos
Pedindo socorro
Vou-me direcionando ao desespero
Quando de qualquer desculpa
Surge o ônibus
O único coletivo
Que me transporta
à inevitável
solidão
ufa!

E então recomeçam os problemas

Dos males

O maior


Sem título


A vida é sempre quase
É sempre
quase nunca;  
ás vezes sim e não

Tão deserto e multidão
Tão oca
De com certeza
É chuva
De lava vulcânica
é granizo, é rojão
E muita mentira

Sempre me soa
polifonia aguda
de quem sabe
um dia

A única coisa que resiste
é poesia

É um sim secreto
que anda lado a lado
com o anseio do porvir
e não adianta forçar o cadeado
tem que ir pra cima
costurar fio por fio
de asa
até morrer
ou desistir

Ou costurando sons
ou palavra por palavra
Enquanto a liberdade não vem

Enquanto o quando não é
nem acho o caminho da coragem
de ser
Vou-me sendo em fragmento
vou me derretendo
ao vento
vou me espalhando

no tempo...