quarta-feira, 2 de julho de 2014

Sem título 1


Como o velho monumento na praça esquecida
A vida me parece nos ter sido roubada
Em pleno meio dia;
Todos os matizes são meus, todos
De todos os seres que nunca existiram, como eu
e vice-versa -

Meu sorriso derrama doses homeopáticas de desespero
A cada vez que imagino velhas possibilidades
Aquelas escolhas descoloridas que não cabem em mim

Quase tudo agora é o avesso do avesso
De algo que não aparece
E quase tudo envolto, revestido
E se importando mais com isso do que qualquer coisa
É bem menos fresco por dentro.

Absolutamente tudo precisa ter uma forma definida?

Posso derreter-me em minha existência,
Posso ser nada e ser bela?

Só me tenho em alta madrugada
Quando surge meu ser onírico;
Meus pés fora do chão que os empurra
São mais leves,
Preciso morrer todos os dias
Para sobreviver
Preciso viver fora do meu corpo
Para senti-lo menos medíocre

Reconheço tuas retinas
E tu me reconhece como dentes, cabelo, coxas
Mas isso é só o começo

Divido com as palavras o preço
De encontrar-me todos os dias;
Mais um eco nos gritos da cidade

O poeta pode dizer tudo a esse mundo surdo!
Mas ainda assim continuará desamparado

No reino das formigas gigantes
Sou um corvo com a asa quebrada
Uma criança de bengalas
Que implora por uma piada

Mas eu lembro que havia um diamante naquele deserto
Ou no meio de milhares e milhares de cacos de vidro
Disfarçados de conchas
O cheiro do mar nos salvava...





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