segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Do tempo intransponível

Dos mares de morro doutro lado
Muito ficou,
Muito se foi;
Dos mares salgados desse lado
Só começo a degustar a princípio
Seu sabor agridoce

Mas daqui e de lá
Vejo Áfricas
Tantas,
e adentrando até
Aqueles espaços hostis
Como outrora

As mães primeiras dessa terra antes, muito antes
Daquelas
Também não se perderam:
E nossa ingratidão é nossa ruína.

Aqui novamente me deparo
Com a lentidão com que tudo
Não acontece:
Parece que tudo em mim
Em nós
Opera em temporalidades geológicas

A despeito do que parece, tudo
É fruto de lutas constantes,
De resistências,
Aliás os resultados
Nunca são realmente resultados
Mas sempre flutuam
No limiar de seus opostos

Acabam sendo esperas e esperas
Ainda que em movimento constante,
Ainda que na aparência frenética das ruas:
Meu corpo exausto que devora os minutos
No fundo evolui lentamente.

A despeito de meus desejos, a despeito até – pasmem
De meus atos, a maturação só vem
Quando é oportuno
A vida não escuta gritos, pirraças, desesperanças
E nem tampouco
Premia só merecidos.

Por isso é que ver-te a cruzar meus dias é sempre melhor
Do que amargar as esperas
Ver-te é o agora possível,
Tangível e completo
E sendo ou não perene,
Já o é.




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