segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Corpo ínfimo

Tem dias que o chão caminha
Fora de meus pés
Que estão tão duros
De incerteza
Embora cheios
De convicção

Que a pressa, sem desespero
Engole meu corpo
Ínfimo
Mas persistente

O ar tem sido tóxico pra todo lado
Qualquer fragmento de verdade é ouro

Quero criar os novos matizes
Mas sinto que ainda não
Talvez os meus frutos
O farão?
Só vou cuspindo perdigotos de esperança
Onde um dia pode haver um rio

Que papel tenho eu
Neste circo de horrores?
Não o da flor
Nem do espinho
Nem o cordeiro
Ou o leão

Mas ainda livre,
Asfixiada apenas
Por prisões alheias,
Quase nunca serei euforia
Ou devaneio
Maior do que este.

É o tronco do Jequitibá 
O alimento
E aquilo que me diz com teus olhos
Robustos de seiva a qualquer manhã:
Sei,
Quando escuto seu canto e seu cheiro
Que valeu

Sei que suas cascas fortalecidas pelo tempo
Serão maiores
Maiores que você e eu,
Embora quisesse que fôssemos
Ainda mais

Ou desapareceremos juntos...

Ainda que não seja tão grande
Quanto gostaria
Meu prêmio já é estar presente
E se esses rostos me escorrerem pela mente

O sentimento, não.



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