quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Cela escura

Atravessei-me até aqui
Para poder ler o mundo
Nos olhos de Ingrid.

Ela teve quinze anos
Nas costas da África
E eu
Muito depois disso
Também.

Nasci livre
Graças a minha mãe,
E não a nenhuma lei

Nenhuma lei jamais foi leal
Ás naturezas humanas,
E entre todas elas impôs-se justamente
A verdadeira barbárie.

Ele tem apenas quinze anos
Não tem nome nem rosto
Mas tem marcas:
Foi condenado a vagar em meio a selva
Dita civilizada

Estamos na mesma cela escura
E o próprio tempo já nos impede
De enxergá-la  

Quinze anos!

E mais quinze, e mais cem
Nesse fosso depravado
Mas retornarei sempre

Nossos velhos fantasmas ainda vagam
Por mais que tenham sido escondidos
Continuam presentes

Trazendo a mesma chama
E em essência

O mesmo sonho.



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