quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Obscuridades

Estive empunhando sem paz a bandeira da guerra
Sou confronto, sou grito, mas
Hoje nem fui
Poetisa,
Fui vazio-completo de emoção passageira
Oca como o acaso
Como o surdo cego mudo que nunca nasceu

Completamente só e especialmente
Íntegra mas enlouquecida,
Ultrapassando senhas, filas,
Pelo anonimato
Atravessei paredes e pendências,
Para só no fim sentir o trânsito daquelas ruas antigas.

Ruas podres
De tantos porres, assassinos,
Pequenos ladrõezinhos pobre-coitados,
De energia e juventude
Euforia generalizada
Encruzilhadas com trabalhos
Bem e mal sucedidos de toda sorte

Para só no fim voltar a sentir as contradições,
Rindo dos homens incomodados
Com minha solidão contente...
É apenas medo o que os mantém
Na linha da conformidade?
Ou é a conformidade...

Diga sim!
Para dizer não,
Diga não para que respire
A imaginação e a liberdade
Por que não desafiar e ser desafiado?
Cruzei o mar para saber mas já sei
Que nada foi
Certo ou errado

Desejo sinceramente
Que todos os eletrodomésticos, todos os sistemas virtuais
Todos os supermercados
As agências bancárias e seus casais entediantes planejando seu triste futuro
Deixem esse planeta extraordinário para quem o merece.

Não quero afundar-me no veneno nem na arrogância
Quero apenas o teu abraço acendendo a certeza de que tudo
Pode ser qualquer coisa
De outra forma,
E estando inevitavelmente
Sujeito ao fim,
Passará.

Não eu, nem ti ou o abraço
Mas só esse agora fortuito,
Quase tudo vai ficando pra trás
O que resta ainda e persiste é porque transbordou o ontem
E milagrosamente salvou-se do tempo.

Este feito por si só, de transceder o espaço-tempo
Diluindo os paralelepípedos invisíveis da vida
Merece minha gratidão.
Tomei tantas formas e tua amizade conformou - se a todas elas
Aprendendo com os que parecem desprezíveis,
Desprezando os que parecem importantes
Não desistimos!

Comeremos as sobremesas antes do almoço
Sentindo os pingos da chuva e as faíscas do fogo
Para gritar pelo fim, pelo começo
Pela verdade inacabada
Pela vontade de criar
Um caos mais ordenado,

Onde o espírito dos homens não seja mais ignorado
Nem desperdiçado

Com estúpidas falácias tecnocratas.


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