sábado, 23 de novembro de 2013

Intercessões



Sou da rua, sim
Odeio receptáculos
Lotados ou vazios.
Eu gosto do espaço
Preenchido pela dança
Pelo som, pelo amor
Ou pela fúria
Aquela esquina feia, maltratada
Com gente desocupada, é naquela
Ou noutra qualquer
Simplesmente porque é rua,
Ou seja é trânsito,  movimento
Sem coordenadas
Posso desistir, mudar de ideia
Posso até cantar sem ser notada
Alguém chegar mais sem ser convidado
 (mas ser notado)
Basta apenas abrir a porta
Para ter qualquer coisa
Aos teus pés

Se é fora é desapego,
Anseio sempre
Vou construindo-me
Nos novos mapas internos da cidade,
Eterna, sem- fim
Mísera, inacabada
Como eu.
Quando sinto aquela neblina fria adentrando meu peito
Atravesso bairros,
Intercepto realidades
Toda a decadência ou o asseio dos cotidianos
Me interpela
Me interessa
Até mesmo aquele trajeto tão banal que fiz e refiz inúmeras vezes
Não tomo com desprezo

Quão longas são as estradas que me esperam?
Só sei que serão largas.

São tantas e crescendo sangue de meu sangue,
Com dor,  violência e esperança
Multiplicam-se sem cessar com seus transeuntes
Transbordando possibilidades
E alimentando trajetórias esquecidas, insistentes
Quase repetitivas.

Me embriago desses traços disformes
Que abrem crateras em meu peito
Pelos ritmos próprios de cada espaço
Reconheço-me,   
Ao desejo
A imortalidade sempre oculta
E a efemeridade a que todos nós temos direito...

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