sexta-feira, 6 de setembro de 2013

Travessia perene

Escrevo
Porque o que me atravessa
Não cabe só
Dentro de mim.

Escrevo porque tudo
Me atravessa,
E para que cá dentro não apodreça
A experiência ou a beleza
Não me faço clara
Mas me faço fim.

E sinto porque a indiferença,
Com seu cheiro de plástico  queimado
se mistura
Com o cheiro do tráfego
Quando o Eu sempre me perpassa
Na visão turva

E para que não me exploda
A estrela
Sou silêncio
                     e  devaneio
Sou olhar 
Abraço-desespero

Tudo aqui é estopim carbônico
Mas há sonho.

O sonho brota de dentro pra fora,
Ou de fora pra dentro,
Mas brota tecido
E sempre sedento
De desobstrução

Intercessão permanente -
O poema e sua gente
O corpo, a alma
E o chão

Permuta interminável
Entre o Eu que me rodeia
Nas superfícies do mundo
E aquele que me anteveio,
Oculto e resistente.

Não sei fazer-me reconhecer pela força,
Pois reconheço-te por nada
Ou por tudo que nem sabes

Das mínimas memórias 
E dos grandes esquecimentos
É feito e refeito
O caminho do poema.



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