quinta-feira, 26 de setembro de 2013

Percurso iminente (ou travessia perene II)

É sempre que me fortaleço,
Que o vento traz em seu ventre
A chama de um tropeço -
Quando sou rocha sempre me perpassa
O fio de lava da incerteza
De que o sentimento íntimo
Sufoca-me:
Paixão.

Cavando o túnel seco da paz,
Em essência
Retorno ao segredo
De que mais do que pra mim
Estou para o mundo e lhe sirvo
Café robusto de coragem
Ao abrir dos olhos
Mesmo sem saber ao certo
Se há correspondência.

Posso saber que dou paixão a vida,
E que ela sem saída
É combustível de meu caminho
A violência me fortalece,
A injustiça me faz mais sã
A tempestade é poça coberta de aurora ensolarada
Que não demora é revelada

O único mistério indissolúvel,
O único percurso no qual sou cega
E despreparada,
É o que leva meu sentimento ao teu
 Ritmo,
Sonho e ação.

Nesta tela cujas cores são palavras
Ainda que limitadas,
Mantenho viva
Pelo apelo intenso, silencioso
Ao universo
A resposta de minha interrogação
Pequena e mesquinha,
Mas legítima

Enquanto não me aparece
Ou se nunca acontecer,
Já tenho razão suficiente
Para minha existência, perdoa-me dizer
Pois esse poema não é de amor
Só a você -
Pelo contrário, está entrelaçado
Tenho em mim a sede,
No mundo a fonte
E quero em ti a rede.

Aquela velha conversa
Que já inchou poemas passados
E lamentos de ilusão
É simples mentira reproduzida
Que em mim arrancariam risadas
Bem humoradas, 
No bar da esquina
De tua casa

Isso se quisesses ouvir
Minha declaração pós-moderna de amor
Que não é frágil nem efêmera, mas simplesmente enxerga
O devir
Percurso iminente
Que inclusive felizmente

Me levou até a ti.





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