sábado, 31 de agosto de 2013

Paisagem desconhecida

Dei a volta ao sol duas vezes
Para curar-me do mundo
E icebergs e vulcões
Criaram – se sem remédio
Na vastidão deste rio

Com Pablo embaixo do braço,
João cravado no peito
Perambulei a despeito
De todo calor e frio

Sim! Já me expus o suficiente
Mas apenas transbordei
Na noite da lua cheia
Pois vim do mar, da Aurora
Dos peixes frescos de Barcelona
Pescados na outrora viva
Baía de Guanabara

Nadei mais de mil braçadas
Nos braços dos velhos pescadores
Nunca enjôo daquele gosto
do sal
E talvez me acostumei a buscar
Esse estranho porto invisível

Nos montes nas cachoeiras

Um eco, cada vez mais longe
Sem bússolas eu intuo
Que até a pressa e o tempo
Cessaram de funcionar
Que agora está suspenso
Por isso não corro nem penso
Se um dia hei de chegar...

Nem calma nem desespero
Estou na fronteira de tudo
Num certo estado indizível
Onde quase tudo é risível
Paisagem desconhecida

[Os olhos, desidradatados...]

Meu barco segue sereno
Ora grande ora pequeno
Mas estanque,

Só teu abraço
Alma cega e sem laço -
Como poderia pensar
Que tu poderia enxergar?

Apenas agradeço
A João, Pablo, Hilda

Por terem transformado esta efêmera estada
Num sonho denso
E possível partida...




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