quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Eu derramado

Cada segundo de mim
Ou cada segundo
De tudo,
Apaga
Tantos dias e dias
Idas e retornos
No chão macio
Do que outrora foi minha terra

Fazia a cama toda manhã com energia
E deitava aplacando mágoas
Que com a mesma força enraizavam-se
A qualquer terreno fértil
Como eram grossas as raízes
Que até o ar alimentava!

Seu Euclides da casa de rações
Continua sentado em sua fachada
Esperando algo do tempo,
Enquanto os rapazes
Nas ruas de terra bem perto
Se matam
Ou são mortos por alguém de nome desconhecido:
O “Estado”.

Pra lá e pra cá os canários
De seu Euclides cantavam
Espantando a insegurança
Aonde vivemos mastigamos cada pedaço
E seja como for é sempre difícil
Digerir tudo

Ao partir guardei
A imagem daquela casa das flores de maracujá
Que eu sei, sempre estará lá a minha espera
Mas quando olho pra trás
É só um Eu derramado
e saciado
Não é nem saudade,
É apenas cheiro bom

De nunca mais.


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