sábado, 31 de agosto de 2013

Degelo

Desejo o frescor da queda rara e milagrosa
Da cachoeira intocada sob finas frestas 
de um sol de amanhã.
O que tenho são os gritos da cidade
Com suas belezas solitárias, suas infinitas veias de destino
As quais cada vez mais me entrelaço
A despeito do cansaço, do reclame dos ossos
E da mente que esta sempre acesa
Sempre na espreita, que não mais medita
Que tudo espera
E nada aceita.

Tudo é parede e concreto
E pessoas a me interromper
a me atropelar
Nunca há silencio nem solidão
mas sim melancolia
E euforia sempre
Mas nunca paixão.
São tantas palavras
A habitar a mente
E as únicas que me sustentam
São as que jorram nos papeis
De poetas mortos

Parece-me que todos os poetas são mortos ou falsos

Ou estão a muitos quilômetros de distância.

Agora parece-me
Que,
Qualquer peito macio e aberto
Pode estar na esquina desse bairro
Mas nunca me abrigará.

Os verdadeiros aventureiros,
As almas originais
Com as quais devo juntar-me
Estão olhando desconfiados
Para o meu futuro sucesso 
fracassado

Em meio as verborragias
Aos oportunismos
Sobreviverei?
Sim, mas
Jamais serei criança
Jamais serei novamente
Alguém que crê cegamente!


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