quarta-feira, 21 de agosto de 2013

Agosto futuro

Na lua cheia de agosto as utopias se enchem
Como sempre estiveram cheias
Nos corações lutadores
Nas energias dos jovens
Espíritos e corpos

Agora florescem as raízes em mim
De muito antigas sementes,
Muito antigas nascentes
E tudo confronta e converge:
Minha falta de fome e cansaço
Pois,
As ruas saciam meu passo
Em direção ao teu peito
Que nunca senti.

Grande utopia
Sentir teu peito um só dia
E a alvorada da vida
Onde nunca há tempo
De ver-te, mas te sinto
E talvez nem deveria...

Não sei se a noite, ou aquele semblante
Da bela moça guerreira
Ou o anseio de tudo,
Ou aquela pequena infértil certeza
De que além de teu sorriso
Muito pouco haverá de sincero e preciso
Para se apreciar tão cedo...

Haverá de ser lindo já que,
Estamos conseguindo
Aquilo que nem sabemos
Mensurar

Haverá de ser feio,
Porque toda condição
Gera contradição
Que foge ao controle:
mas estou disposta e firme

Ainda assim  é tão pesado
Até
para a mulher que carrega os séculos
Quanto mais para a poetisa que os descarrega
nas palavras
Pois ela não pode, não consegue respirar
Sem a trivialidade da existência
Sem aquele tempo que se desperdiça
Por apenas se espreguiçar...

Mas cedo ou tarde ela volta
Pelo chamado da lua, pelo sangue
Da luta,
Pelo inconformismo
E
Diante de tudo isso
É sempre melhor adiar o risco
De em algum peito
Se acomodar

Nem todo amor domestica,
Mas que nada machuca mais
Do que desacreditar,
E se creio
Numa aurora desse mundo

Estarei em ti no segundo
Em que a semente germinar.


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