domingo, 14 de julho de 2013

Por amor à urbe

Estreitas alamedas
Becos maltratados
Homens esquecidos
[de si]

Transito incólume pelos lugares sujos,
e evito
A falsidade da beleza
Do que é domesticado

O que é muito limpo me salta às narinas
E sei que há algo de errado,
Há algo de irreal
Nessas esquinas

Algo de ilusório eu diria
Muito mais que teatral
Nas boutiques
Das ruas mais bonitas

E as meninas que nelas transitam
Achando seu dia tão banal
Tampouco me excitam

Mas sem distinção me desloco
E vejo o que quer que seja
Aonde ninguém veria

Me meto nos becos, nas multidões
Nos sons insurdecedores da cidade
Dos quais me alimento
De indignação, de amor,
De raiva e compaixão

E me sinto um robô mais humano

Embora sinta que houve algum engano
E que em enganos nos multiplicamos
Aqui me sinto viva
Seguindo minha odisséia urbana
À procura do lugar que perdi
[ou que jamais tive]


Assim que nasci.


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