segunda-feira, 22 de julho de 2013

Fôlego

Uma estrela explodiu hoje
Não pude contê-la

Varreu o universo
Quando ontem afirmava
Que tudo estava em paz.

Julguei estar vazio, em movimento contínuo
Leve solitário e silencioso
O vácuo celeste de meu peito
Pensei poder prever até a mínima gota
Debruçando-se na fresta da manhã

Ontem era fresco receptáculo
Com gosto livre de menta
Hoje é inflamável
Por ter engolido o sol

Se antes já estava vivo, agora
É latente,
treme
Expandindo-se indefinidamente

Como se a pele do cosmo tivesse de abrir-se
E evaporar
Para revestir o todo
Pela eternidade

Perdeu-se o senso de realidade
Quão vulgar e pequeno ele se torna
E de qualquer forma inútil

Se o delírio pronunciou-se
Quem falará mais alto?
Quem estancará o som
Da tua voz em meu ouvido?

Nascemos para o frêmito
Nada que seja vida
Pode se acomodar
Aceito a transitoriedade permanente!
E como partícula infame
Devo tremer no espaço
Revivendo a todo instante
O repouso e o desespero

Em teu olhar caramelado...


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