quarta-feira, 26 de junho de 2013

Sobre esses e outros tempos


O homem e seu cão
Neste outono imaturo
Outono inseguro
Mente latejante
A espera
Do desespero breve
No desejo
Na escuta
Tensa e astuta

A dança está suspensa
O chorinho continua
Consolo
De fim de festa
Ou ainda, estou errada
Todo tempo é digno de euforia
Mas não generalizada

A mim chega como gozo
Mas falta algo que além desconfio
Só saberemos dentro de algumas décadas
Será profundo
Será perene
Ou apenas convulsão fugidia
Mas sim sempre há
Consequências a mais
Para aqueles que não dormem
E planejam tudo

Deste lado a poetisa
Nada
Mas muito bem intencionada
Nunca mais escreveu cartas.

Não é previlegiada
É vigiada como qualquer idiota
Que agarrado ao seu conforto nem desconfia
Estar naufragando em patéticas
Águas rasas

Sorrimos para nosso algoz,  o alimentamos
Mas o que há de extraordinário
É que o extraordinário
Sempre vem
E cruzará a esquina dos meus olhos
 Surpresos,
Não porque nasci ontem
Não,
Mas porque é contínuo o renascer

Em tudo, que é contínuo,
Quero incluir-me consciente
E quero devassar o invisível,
De todas as conspirações.

E as simplicidades
Quero continuar a senti-las
 A saboreá-las bem devagar
Apesar de tudo.

Ademais já sei
Como estar em paz,
 Em mim
Mas não com o mundo:
A ele despejo minha melhor energia
de inquietação,
Pois quando tudo é muito calmo
Desconfio, e
Quando treme
Também desconfio [e gosto] mais. 


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