segunda-feira, 3 de junho de 2013

Poema Gigante (sobre o conflito que habita em mim e me move pela eternidade)


Te quero com tuas abstrações
Eu quero teus muros
Das lamentações
Clichês, vaidades,
Criatividades

Eu tiro de letra
As ingênuas mentiras
Meninas, meninos,
Benditas orgias

Passeio pelo teu urbanismo
Cínico
O clínico discurso do teu lábio
Superior
Aquelas cadeiras frias
Tão cheias mas tão vazias

Eu sento nas cadeiras
Eu cumpro os prazos
Eu sei eu sei eu sei
O que esperam de mim...

Sempre há de chegar
Uma ou outra vitalidade
Até o músico moribundo
Do outro lado do disco
Ainda canta uma canção

Alguma coisa mudou
Mas não posso envelhecer
Não quero não posso
Agora, 

Eu não preciso de ninguém
Ninguém precisa de mim
No entanto é impossível
Ser feliz sozinho

Quero participar
Não posso fugir
Quero sair do nada
Para lugar algum, todos os dias

E dedico a você...

 Minha última gargalhada

Sabe, quero gozar
Da tua infertilidade

E estas raras vidas sinceras que sempre brotam
De dentro da tua aridez

Ainda me fecundam
Sobrevivo desse combustível

Das nomenclaturas te dou
Meu indizível

Posso analisar o discurso
Mas prefiro analisar meus atos
Prefiro escancarar os fatos
Sem esquecer o valor do silêncio

Vamos dançar salsa
E vamos crescer!

Eu já sei como escrever
Não quero gavetas, quero chaves
Não quero cadeiras, quero asas

Quero ver a grama do vizinho
Só não quero viver de comê-la
Nem ruminá-la
Pelos livros afora

Quero pensar com o coração
Por favor entenda,
Eu cumpro a agenda

Saber dizer sim
É saber dizer não

Mas não se iluda
Sinto a minha essência

Sou o galo
Não o papagaio

Sente-se ao meu lado,
Quando menos esperar
Estaremos acordados

Eu amo certas coisas banais
E pode haver na delicadeza
Uma certa rebeldia

Acredite,
Há várias formas de contrafluxo
Conheça as vertentes

Cuidado!

O que for familiar pode amanhecer suspeito
E assim por diante

Neste poema gigante
Digo, que o pior
[e o melhor]
Ainda está por vir
E agradeço ao leitor

Que chegou até aqui.


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