terça-feira, 7 de maio de 2013

Ruas da memória


Andando por aquelas ruas
Catei fragmentos de mim

E deixei outros mais
Por irromper dentro dos dias

Vivo compactando histórias,
Racionalizando memórias
Alheias
Me alimentando de imaginações

Uma irônica via institucional
De evocar ancestralidades...

Mas percebi que meu desespero
Por não perder cada existência
Esvai-se pelas frestas efêmeras
da percepção

E que cada imagem fluida de minha experiência
Derrama-se pelo meu espírito pungente,
Único receptor
Inalcançável moradia

Tentamos apenas captar o fenômeno,
Reconhecê-lo,
Revelá-lo
Por meios opacos
Sem chegar no entanto
A seu receptáculo

Que é sensível, perene
Como o eco de uma canção amada
Mas não se traduz nem pelas melhores palavras
Embora mesmo assim não cessaremos

De tentar inventá-las...

E por essa limitada combinação
De regras semânticas,
Nos ocupamos de criar novos mundos, fecundados
Por aqueles derramados naquelas mesmas ruas
Ou em outras pelas quais

Nunca passarei


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Leitor e leitora, dê sua opinião, recado etc aqui!