terça-feira, 4 de dezembro de 2018

Poema – piada




Eu quero fazer tudo
Quero ser poeta, cantora e atriz
Tocar violino e percussão
Fazer pós-graduação
Terminar o doutorado
Eu quero fazer tudo
Conhecer qualquer lugar
Do mundo
Quero ganhar dinheiro
Pra passar o fevereiro
Comendo camarão
Quero ter mais de uma profissão
Uma por dia
E acabar na terapia




Saiu um poema do bolso
Correu solto
Pelo dia
Até desaguar na noite
Fria
Transbordou sem razão
Ao fim
Saiu um poema do fosso
De antros perdidos
De mim
Vagou pela alma o grito
Primal
Até ser escrito
Invadiu a página
Escancarou a dúvida
Se é possível
Usar a palavra
Ou se ela só cala
A não ser
Que ela tenha asa
E coragem de voar
A não ser que ela pule
Da margem
E exploda
A porra toda
Saiu um poema
Nasceu
Sem tema
E você leu



segunda-feira, 13 de agosto de 2018


Saudade daqueles tempos
Em que morri
Mas revigorei
Hoje
Saudade daqueles
Templos
Internos
Daquelas tardes
No orelhão da esquina
Era tudo mais lento
E o instante
Mais denso
De vivência
Saudade daqueles
Mesmos
Eternos
Delinquentes
Com os quais me tornei gente
Nem melhor nem pior
Do que qualquer
Gente
Daqueles versos desesperados
Daqueles uivos
De Aurora
Amada
Mãe de todos nós
Daquelas trilhas urbanas
Peregrinações
Jornadas
Noite adentro
Da combustão
À exaustão
Às cinzas
Multicores
(des) coloridas vidas de paixão
Decaídas
Da estrela
Ardente
Saudade daquela quente
Energia
Onde os relógios derretiam
E nossas mentes se ocupavam
De explorar o mundo
Saudade no fundo
Do fundo
De uma idade de latência
Sem Internet
Mas com existência
Parece que foi ontem
E foi
O que será do amanhã
Responda
Quem
Tiver tempo
(de perguntar)


quinta-feira, 23 de março de 2017

Hiper teoria


Nocaute
na vitalidade
Subjugando 
criatividade
Represas
Modelos
Postulados
senhas 
e formatos
Carregados 
de obediência
Falta de unicidade
Do maravilhar-se
Do entregar-se
Ao ser sensível
Verborragia 
Que inunda a alma
Rouba a magia
Disseca arco-íris
Ao ponto de fazer-nos cegos
Imersos no labirinto
do hiper texto
Doença que se pode felizmente curar
Deixando-se vibrar no corpo
A força das ondas do mar



quinta-feira, 1 de setembro de 2016


Me inquieta ver o passado
Me inquieta acompanhar o presente
Me inquieta VIVER

Os muros sempre falam
as feridas e as fraturas
ex-postas
se entrepõe
à sobrevivência
diária
O ar é denso
de desilusão

Vi ter um vazio aí
E essa verdade
Vai encharcar o tempo
De saudade

Oh bruta flor
nem sabe o que quer
Algum dia
o jogo viraria
Não foi pra onde eu mirei

Mas continuo no campo de batalha
Estudando possibilidades




segunda-feira, 11 de abril de 2016

Papel e caneta

tem amigos que não se desgrudam
são o refúgio
o repouso
sem receio
do tempo
entra touch
sai tecla
e esse entrelace é tão certeiro
quanto fevereiro





quarta-feira, 30 de março de 2016

VIDA

Fina ou bruta
Depende do caráter
da labuta
tem dias 
que parece ser melhor 
alimentar os vermes
Não se sabe quem sobreviverá
Só se sabe 
Que o sistema
Está fora do ar